Dia de S. Valentim

Aproxima-se a passos largos mais uma data cujo significado a maioria desconhece: o dia de S. Valentim.

O seu verdadeiro significado foi sendo abafado e mais tarde esquecido, devido ao capitalismo que estrutura a nossa sociedade. Deste modo, se há séculos atrás o dia de S. Valentim, mais conhecido como o Dia dos Namorados se baseava em valores, ideais e sentimentos, hoje em dia baseia-se antes num materialismo compulsivo e inútil, caracterizando-se por uma azáfama comercial e pela corrida a lojas recheadas de corações onde impera o vermelho e frases como “És o/a melhor namorado/a do mundo”, a floristas que enchem os seus vasos com rosas da cor da paixão e a restaurantes, bares e, por vezes discotecas que, nesta data chegam, inclusive a limitar apenas a entrada a quem se faça acompanhar pela sua “cara metade”.

 

Admito que esta última afirmação possa ser um pouco exagerada hoje em dia. No entanto, há alguns anos atrás fazia todo o sentido e, por isso mesmo é que, actualmente são muito poucos – ou nenhuns – os solteiros que se atrevem a sair de casa para passear ou jantar fora no dia 14 de Fevereiro. O Dia dos Namorados transformou-se por completo numa data meramente comercial e num dia temido e odiado por quem se sente só. E são muitas dessas pessoas, cuja solidão do Dia dos Namorados já as fez sentir ainda mais sós e abandonadas que, quando vêm o seu estado civil alterar-se para comprometido/a se “vingam” da anterior solidão cedendo a um consumismo desmedido e sem sentido, procurando demonstrar sentimentos numa data específica através de flores, jantares ou prendas geralmente inúteis e com tamanha falta de criatividade. Isto quando, quem ama o deve demonstrar todos os dias, seja através de um carinho, ou de frases, palavras, momentos pois, como já disse (ou escrevi), o dia de S. Valentim nada tem a ver com bens materiais, mas antes com valores, ideais e sentimentos.

 

Espero que não me interpretem mal. A minha intenção não é abolir festividades e tradições como o Governo faz com os feriados. Quero, isso sim que o verdadeiro sentido dos costumes seja conhecido e celebrado e por isso mesmo, aqui fica a história de como surgiu, afinal o dia de S.Valentim:

Na Roma Antiga, o Imperador Cláudio II proibiu os casamentos por acreditar que os jovens, se não tivessem família iriam alistar-se mais e lutar melhor. No entanto, um bispo de nome Valentim continuou a celebrar matrimónios em segredo, acabando por ser descoberto mais tarde, preso e decapitado a 14 de Fevereiro de 270 d.C., tendo-se ainda apaixonado na prisão por uma jovem a quem chegou a enviar cartas assinando “o teu Valentim” (em inglês, “your valentines”).

 

Clarisse Carvalho

(Cronista EcosOnline)

 


12 de Fevereiro de 2012
Esta entrada foi publicada em Colunistas, Opinião com as tags , , . ligação permanente.


Deixe o seu comentário