
Não fora o intenso cheiro a enxofre que insistentemente ainda paira no ar 45 anos depois do último vagão ter saído das Minas de S. Domingos e dir-se-ia que tínhamos aterrado numa paisagem lunar.
Uma olhar mais atento sobre a “Água Forte”, como é chamada a lagoa pejada de metais pesados que cobre a antiga mina, revela-nos o imponente atentado contra o ambiente a que o fecho da mina em 1966 conduziu.
“Seriam precisos milhões de euros para tudo isto voltar ao normal” afirma peremptório o nosso guia inesperado, velho trabalhador da Mina.
Ao longo do vale da Ribeira de S. Domingos desde a Água Forte até à antiga zona de tratamento do minério da Achada do Gamo e mais uns quilómetros depois, dezenas de lagoas utilizadas para a decantação do minério e montanhas de cinzas perigosas mostram-nos a verdadeira dimensão da “obra” em que a ganância de alguns transformou toda aquela zona do “Alentejo profundo”, parafraseando uma frase que um político português celebrizou.
A partir de Santana de Cambas, onde o relógio marca as duas e um quarto de uma tarde de calor seco e outonal e uma bebida fresca nos retempera o ânimo, é continuar pelo trilho que sustentou a antiga linha de caminho de ferro por onde terão passado milhões de toneladas de minério e de que hoje resta um monumento evocativo, casas abandonadas, dezenas de pontes destruídas que têm de ser ultrapassadas pelos leitos das ribeiras, sete túneis de chão pejado de enxofre e a visão de algumas povoações que nos recebem por “Bens” mas perdidas num tempo que nem o bem arranjado recinto das festas consegue iludir.
Cais do Pomarão, Guadiana… vinte quilómetros depois – fim de linha.
O belíssimo cozido de grão que a Ti Bárbara do Café do Rio tinha preparado para nos receber não engana: estamos no Alentejo.
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